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Flavia Crizanto

Introdução à Comunicação Não-Violenta na Fundação Casa de Rui Barbosa

No dia 22 de março, Bianca Erthal, Cristina Cantergiani e eu ministramos mais uma oficina de Comunicação Não-Violenta. Dessa vez, o nosso encontro foi com os colaboradores da Fundação Casa de Rui Barbosa, em Botafogo. Um lugar lindo!

Fundação Casa de Rui Barbosa - Rio de Janeiro

Tópicos da oficina de CNV

Para a Fundação levamos uma experiência que gostamos muito de apresentar. Chamamos de prática do aquário. Antes de mesmo de apresentarmos os conceitos que integram a Comunicação Não-Violenta, Bianca e eu mostramos na prática uma situação na qual podemos aplicar a técnica.

O objetivo final foi fazer com as que as pessoas pudessem observar tudo que acontecia entre nós duas. (como dois peixes em um aquário) e após a vivência pudessem relatar impressões e percepções.

Prática do aquário de Comunicação  Não-Violenta
Eu e Bianca na prática do aquário.

Os quatro passos da Comunicação Não-Violenta

Após assistirem a nossa conversa, começamos a destrinchar com os participantes os quatro componentes que integram a CNV: observação, sentimento, necessidade e pedido.

  • Obervação: particularmente, considero uma das etapas mais importantes do processo. Observar sem julgar é o propósito. Mas, como isso é possível? O ser humano foi ensinado a avaliar todo tipo de situação e, automaticamente, acaba tomando o que julga como verdade. É nesse momentos que vemos o mundo sob a nossa ótica e a nossa verdade.Na prática da observação, tentamos descrever qualquer fato ou situação como uma fotografia. Imagine você chegando em casa e encontrando sua sala completamente remexida, com todos os seus objetos fora do lugar e o seu marido deitado no sofá.

Você poderia chegar nomeando aquela situação como uma bagunça e brigar. Aproveitaria também para chamá-lo de porco e dizer que ele não tem qualquer consideração pelo fato de você trabalhar o dia inteiro e ainda encontrar a casa completamente bagunçada. (Após este ponto dá para deixar a imaginação fluir em relação a essa história. Provavelmente não acabaria bem, não é mesmo?)

Quando ativamos o passo da observação, tentamos nos ater somente ao fato, ao que nossos olhos podem “fotografar”. Ou seja, os objetos que estavam em lugar X, quando saí de casa, não estão mais. O meu marido está deitado no sofá. A partir deste ponto, podemos pular para o segundo passo da CNV.

  • Sentimentos: após sermos capazes de nos ater aos fatos, é hora de investigar quais sentimentos emergem com aquela situação. Raiva, angústia, medo, ansiedade, desânimo? Um ponto importante é sempre lembrar que somos responsáveis pelos nossos sentimentos, não é o outro que nos causa. E por que temos nos sentimentos assim? Vamos para a terceira etapa.
  • Necessidades: Na Comunicação Não-Violenta aprendemos que por trás de todo sentimento há uma necessidade atendida ou não atendida. No caso que estamos contando, podemos inferir que a pessoa que chegou em casa tenha, talvez, necessidade de organização. Essa pode ser a razão DELA sentir raiva ou desânimo quando encontra os objetos fora do lugar na sala.

Quando somos capazes de fazer essa investigação podemos fazer uma checagem. No exemplo que estamos dando, a mulher poderia dizer ao marido. “Quando eu saí de casa pela manhã, a sala estava com todos os objetos no lugar comum dela. Agora encontro todos fora do lugar. Quando isso acontece eu me sinto muito desanimada porque gosto de chegar em casa e encontrar tudo organizado. Por que isso está assim?

A partir daí poderíamos ter vários desdobramentos, desde um pedido de desculpas do marido (Ou não), até uma explicação do tipo. Tivemos um acidente e precisei tirar tudo lugar. Como fiquei muito cansado, decidi parar um pouco e te aguardar chegar.

Após essa checagem, seria possível fazer um pedido mais claro. O que corresponde ao quarto passo da CNV.

  • Pedidos: o primeiro ponto a ser compreendido aqui é: pedido não é exigência. Por isso, é importante saber que, por mais que apliquemos todos as etapas, não quer dizer que obteremos o resultado que nós estamos esperando. Significa apenas que estamos sendo autênticos com os nossos sentimentos e necessidades e abrindo um campo para compreender o outro também. Estamos trabalhando a nossa conexão e empatia.

Os pedidos devem ser específicos e definirem uma ação concreta. Um exemplo de como NÃO fazer um pedido. “Eu me sinto muito triste quando encontro a sala com os objetos fora do lugar porque gosto muito de organização. Gostaria que você me AJUDASSE mais com a manutenção da casa”.

Existe um perigo nesse pedido porque o conceito do que é ajudar para mim pode ser diferente para o outro. Desse jeito, podemos entrar novamente em um campo de desentendimento. Uma solução seria definir o que ajudar. “Gostaria que você me ajudasse mantendo todos os objetos no lugar até a hora da minha chegada. É possível para você?”

Dessa maneira, o conceito de ajudar ficaria especificado para as duas pessoas no diálogo.

Conclusão – Voltando à oficina na Casa de Rui Barbosa

Tentamos explorar todos esses passos com os participantes por meio de muita troca e exercícios práticos. Reiteramos que Comunicação Não-Violenta é prática. É uma linguagem que precisa ser exercitada como qualquer outra.

Tem dias que estamos muito bem com ela. Tem dias que dá aquele branco e o desafio parece maior. O importante é sabermos que ela existe como uma poderosa ferramenta que pode ser acessada em momentos que nos vemos em conflito com os outros e com nós mesmos.

Quando entendemos as necessidades que motivam o nosso comportamento e o dos outros, não temos inimigos.” Marshall Rosemberg

Saiba mais como foi nossa oficina no INEA e no Colégio Pedro II.

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